


A CPT Goiás vem, por meio desta nota, se somar às vozes das famílias do Assentamento São Carlos, Assentamento Bom Sucesso, Assentamento Buriti Queimado e Assentamento União dos Buritis, na defesa de que a Escola Municipal Rural Olimpya Angélica de Lima, no Município de Goiás, se mantenha em funcionamento, atendendo às comunidades.
Conhecemos e acompanhamos de perto esta unidade, e compreendemos a sua importância, tanto na garantia do direito à educação e à segurança para as/os estudantes, quanto para suas famílias, no acompanhamento diário de sua vida escolar e em seu dia a dia de trabalho.
Compreendemos ainda que a escola rural é um espaço de integração comunitária e convivência fundamental para as comunidades do campo, se constituindo como local de formação, lazer e promoção de saúde integral, para além das atividades escolares.
Participamos ativamente do Comitê em Defesa da Educação no Campo, que vem mobilizando instituições contra a atual política do governo estadual de Goiás de fechamento unilateral de escolas rurais, de implantação de sistemas de aulas virtuais em escolas quilombolas, e de implantação de unidades tecnicistas voltadas exclusivamente para servir ao agronegócio, que tiram os jovens do campo e não valorizam a agricultura familiar camponesa, que alimenta nosso país.
Em 2025, apoiamos e participamos da construção comunitária de uma estufa para produção de alimentos na Escola Municipal Rural Olímpya Angélica, com o objetivo de favorecer avanços em práticas coletivas que integrem os saberes tradicionais, a agroecologia e os conhecimentos e práticas escolares. Em 2026 e nos próximos anos, queremos prosseguir na escola, em ação com as comunidades.
A Educação no Campo é um direito e é parte do conjunto de instituições e ações para garantia de outros direitos e do bem-viver para os povos e comunidades do campo. Compreendemos a relação de interdependência entre campo e cidade, e temos ciência que os processos educacionais vão além do ensino técnico e teórico. Sabemos que toda aprendizagem deve partir das relações interpessoais, intergeracionais, socioeconômicas, culturais e, claro, socioambientais, valores essenciais para a construção da pessoa humana. Reafirmamos sempre o desejo de construir pontes, tendo como ponto de partida a vida e o direito de viver.
Comissão Pastoral da Terra Regional Goiás
06 de janeiro de 2026