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Seminário Popular reúne trabalhadoras rurais e pesquisadores em diálogo sobre luta pela terra

Atividade compôs o conjunto de debates em torno do lançamento do Caderno de Conflitos do estado de Goiás


Comissão Pastoral da Terra (CPT Goiás), em parceria com o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC Goiás, promoveu, no dia 16 de junho, o Seminário Popular, como atividade de abertura do lançamento do caderno  Conflitos no Campo: análise dos dados registrados em Goiás 2025.

Realizado na Escola de Formação de Professores e Humanidades (Área  6), o evento reuniu pesquisadores, representantes de movimentos sociais, lideranças religiosas, estudantes e instituições parceiras para refletir sobre a realidade agrária do estado, os impactos dos conflitos territoriais e os desafios enfrentados por comunidades rurais, indígenas e quilombolas. A programação contou com mesa-redonda, conferência e homenagens. Toda a atividade contou com animação de Antônio Baiado.

Na abertura do seminário, coordenada por Leila Lemes, membro da coordenação colegiada da CPT Goiás, o pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa da PUC Goiás, professor Alex Silva da Cruz, destacou a importância da universidade reafirmar o seu compromisso histórico com as demandas da sociedade e com a defesa dos direitos humanos. Ele ressaltou que a natureza comunitária da instituição exige uma atuação permanente junto às causas sociais.

O coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião da PUC Goiás, professor José Reinaldo, ressaltou que o seminário foi pensado para ampliar a reflexão em torno dos dados apresentados pela CPT, além de promover diálogo acadêmico e social sobre a questão agrária brasileira.

De acordo com o docente, o evento foi estruturado para ir além da divulgação do relatório anual e visa oferecer espaços de debate e aprofundamento teórico sobre os conflitos no campo. O professor também destacou a contribuição histórica do Programa para a discussão do tema e a participação do professor Alberto da Silva Moreira, pesquisador que há décadas se dedica ao estudo das questões agrárias e dos movimentos sociais.

Representando a Comissão Pastoral da Terra Regional Goiás, o coordenador Gerailton Ferreira dos Santos destacou o significado da parceria com a universidade e lamentou que a publicação anual continue sendo necessária diante da persistência dos conflitos e violações de direitos.

Ele observou que os números apresentados no relatório representam vidas humanas e histórias marcadas por sofrimento, resistência e luta por direitos fundamentais. “Não são apenas números. São vidas, são pessoas, são pais, mães, filhos, filhas, avós e avôs que muitas vezes sacrificaram a própria vida na defesa de um direito que lhes é constantemente negado”, afirmou.

Gerailton enfatizou que o trabalho da CPT consiste não apenas em registrar os conflitos, mas também em denunciar violações de direitos humanos e contribuir para a construção de estratégias capazes de reduzir a violência no campo. Segundo ele, Goiás enfrenta desafios significativos em razão de estruturas que frequentemente aprofundam desigualdades e fragilizam populações vulneráveis, como as pequenas comunidades camponesas, comunidades quilombolas e indígenas, que sofrem diversas pressões que ameaçam seus territórios e modos de vida.

Mesa Redonda

Na sequência, foi realizada uma mesa redonda, mediada por João Marcos Picarti, também membro da coordenação colegiada da CPT Goiás, que promoveu conversa entre o professor Flávio Sofiati, da Universidade Federal de Goiás, e Maria Moreira, do Movimento Sem Terra. Flávio Sofiati analisou a questão da terra no interior do sistema capitalista apontando o problema fundante que estrutura os conflitos pela terra.

“Precisamos mudar o princípio que rege nossa sociedade: a propriedade privada. Este princípio contém em si uma contradição insuperável. Ela desconsidera que toda riqueza é gerada coletivamente, mas é apropriada por poucos. Isso gera uma sociedade de classes, que hierarquia as pessoas com base no gênero e na colonialidade”, discute o professor.

Maria Moreira, que foi coordenadora de produção do MST Goiás durante a pandemia de Covid-19, narrou os caminhos desafiadores trilhados pelas mulheres na luta pela terra. Maria é assentada no Acampamento Dom Tomás Balduino, em Formosa (GO). 

Homenagem e entrega do Prêmio Dom Tomás Balduino 2026

A terceira atividade da programação, foi a mesa-redonda Terra: Sagrado, Sistema e Resistência e uma conversa com o professor Alberto da Silva Moreira, sobre o livro O Dom da Terra – Leitura Teológica dos Conflitos Agrários no Brasil, mediada por Gerailton Ferreira e com a participação de Cecília, da coordenação nacional da Comissão Pastoral da Terra. Alberto fez uma exposição oral onde falou sobre sua experiência no trabalho pastoral, especialmente nos tempo de atuação na CPT Araguaia-Tocantins, em tempos de grandes lutas e forte violência contra a população organizada no campo, entre as décadas de 1970 e 1980. 

Por sua trajetória, o professor Alberto foi homenageado com o Prêmio Dom Tomás Balduino 2026, apresentado por Eleuza Ório, agente da CPT Goiás na Diocese de Goiás, e entregue por Maria Moreira, um momento de forte emoção. 

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